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Casal de cegos tem primeiro encontro após dois anos de namoro pela web

“Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador”.  O trecho do poema ‘Para Viver Um Grande Amor’ do poeta Vinícius de Moraes parece feito para descrever o estudante acreano Fabrício França, de 21 anos. Ele e a namorada, Suelen Simões, de 26 anos, são deficientes visuais, se conheceram pela internet e há dois anos encaram juntos os desafios de uma relação à distância.
O primeiro encontro entre eles ocorreu no dia 3 de junho, graças a uma equipe do programa Mais Você. A mãe de Suelen é motorista dos Estúdios Globo e acabou contando a história da filha para um membro da equipe do programa. Um produtor se interessou e resolveu ajudar o casal.
A matéria foi ao ar no programa nesta terça-feira (21). Após levar Fabrício para o Rio de Janeiro, a equipe do programa fez uma surpresa para Suellen, simulando uma falha na gravação, a equipe retornou a casa dela para gravar novamente a entrevista. Dessa vez, no entanto, levando o rapaz.
Juntos, os dois tiveram que primeiro acreditar que estavam mesmo frente a frente. A coragem de se encostar só apareceu após dois minutos, já o primeiro abraço após três. Os dois, contudo, têm certeza do que esperam daqui para frente. “Casar, ter filhos, ter uma família como todo mundo", diz Suellen, no que tem apoio irrestrito do namorado.
Distância e desafios
França nasceu com hidrocefalia, ou seja, aumento na quantidade de líquido no interior do cérebro a 400 km da capital acreana, na cidade de Tarauacá, e aos três anos a doença acabou deixando-o completamente cego. Há 11 anos, ele vive em uma casa para deficientes visuais em Rio Branco para poder completar os estudos e tentar ingressar em uma universidade. “Quero fazer direito”, afirma.
Já Suelen é carioca e está ainda cursando o ensino fundamental. Ela tem microcefalia, uma doença que não permite o crescimento normal do cérebro. Segundo a mãe da jovem, Cristiane Simões, a gravidez foi complicada e houve falta de oxigênio durante o parto.
“Quando ela nasceu, eles [os médicos] desenganaram. Ela não enxergava, eu tinha certeza, depois de uns dois, três meses de idade, porque ela acompanhava tudo pelo barulho e não pelo movimento", conta a mãe.
Os dois se conheceram através de um grupo formado no Skype por deficientes visuais de diversos estados. “Uma amiga minha me chamou um dia e disse que queria me apresentar uma pessoa. Era a Suelen”, lembra animado.
Por dois meses eles conversaram como amigos, até que o “peito de remador” de França apareceu e ele criou coragem para pedir a jovem em namoro. “Ela não quis muito no começo, mas depois aceitou”, conta entre risos.
Mesmo com a distância de quase quatro mil quilômetros entre os namorados, não faltam entre eles demonstrações de carinho e cumplicidade. “A gente se fala todo dia, se eu não posso, ela fica com ciúmes. Ela me conta os problemas dela e ouve os meus”, confessa o jovem.
Família
No começo, a família do estudante também não viu com bons olhos o relacionamento pela internet. “Fui criticado, diziam que era perigoso porque podia ser uma história falsa, mas depois aceitaram. Ela já falou até com a minha avó por telefone”, salienta.
Já a mãe de Suellen apoia a relação. "Ele nunca viu ela, nem ela nunca viu ele. Realmente o que eles sentem é sentimento. Independente do que você aparenta ser, se é belo, feio. É o que verdadeiramente é por dentro", diz.
França possui cegueira total, já Suelen ainda possui 10% da visão, para se comunicar eles têm a tecnologia como aliada. Aplicativos especiais que facilitem a comunicação entre cegos são utilizados por eles para garantir a comunicação.
fonte  g1.globo.com 
equipe giro feijó

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