Acre sedia 2º Congresso Mundial da Ayahuasca - Giro Feijó

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Acre sedia 2º Congresso Mundial da Ayahuasca

Acre sedia 2º Congresso Mundial da Ayahuasca

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O Centro Internacional para Educação, Pesquisa e Serviço em Etnobotânica (Iceers), em parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac),  as comunidades religiosas daimistas e organizações indígenas, promovem   nos dias  17 a 23 deste mês, no campus da Ufac, o 2 Congresso Mundial da Ayahuasca. O evento busca refletir sobre a contribuição desta manifestação cultural andina que difundiu como uma crença religiosa dos povos amazônidas.
Apesar desta prática xâmica ter surgido nas noites dos tempos, através das comunidades andinas, mas foi o maranhense Raimundo Irineu Serra, na década de trinta  (século passado), que se transformou numa crença religiosa. O migrante nordestino foi capaz de  unificar duas correntes religiosas completamente antagônicas, (o Catolicismo Romano e o Espiritismo Kardecista).  Tudo começou com apenas meia dúzia de seringueiros analfabetos, que perambulvam pelas periferias da capital do antigo Território do Acre, que buscam escapar da fome que castigava os seringais, depois do colapso econômico da atividade extrativista.
Para o antropólogo Clodomir Monteiro, este pequeno grupo de migrantes não tinha nenhuma ideia que estavam dando origem ao movimento daimista. “O padrinho Irineu Serra, acompanhado dos irmãos, atendia os necessitados que batiam em sua porta, num modesto barraco de madeira, situado na zona rural, (atual bairro Vila Ivonete)”, destaca Monteiro em  sua tese sobre o movimento religioso.
A comunidade de Irineu Serra, era ignorada pelo catolicismo vigente, mas demonizada pelo protestantismo pentecostal, que buscava arrebanhar fiéis nos arredores da cidade de Rio Branco. Com a ajuda dos fiés, compra um pedaço de terra na colocação Espalhada, onde erguerá uma capelinha de palha para acolher a padroeira Nossa Senhora da Conceição, que ficou popularmente conhicada  como a Rainha da Floresta.
Nesta nova missão, que contava com o apoio dos irmãos e seguidores Germano Guilherme, Antonio Gomes, João Pereira e Maria Damião vai dar origem a comunidade do Alto da Santa Cruz, que hoje se chama bairro Irineu Serra. Desta experiência a margem da sociedade rio-branquense, os daimista como eram chamados estabelece um novo calendário devocional, para comemorar o Dia de Santo Reis, de São José, de São João Batista, de Todos os Santos, de Nossa Senhora da Conceição e do Nascimento do Menino Jesus (Natal).
Porém, só na velhice que o líder religioso compõe um hino dedicado ao Cruzeiro,as que  sistematiza o conceito monista do Jura/midam, que tem o seguinte significado: “Deus: somos todos nós”.  Com o decorrer dos anos, os hinários do mestre Irineu Serra passa representar o corpo doutrinário do novo movimento religios, fundamentado no conceito recarnacionista.  O Cruzeiro, primeiro hinário, composto com aproximadamente 132 estrofes,  trata da disciplina dos chelas, fala da jornada espiritual da alma   – peregrina e  ainda  os pontos chaves da nova   doutrina religiosa.
Somente no século XXI, que a antropóloga Bia Labate fez um extenso trabalho sobre o papel dos hinários nas comunidades do Santo Daime. “Os daimistas consideram-se seguidores de uma doutrina musical”, destaca a pesquisadora paulista. Em todos os rituais, segundo ela, existe a execução musical dos hinários. Com base nesta descoberta, aprofundou a sua pesquisa, no hino O Cruzeiro do mestre Irineu Serra, e no hino, Oração do Padrinho Sebastião, sempre cantados nos rituais destas duas comunidades religiosas, que surgiram na periferia de Rio Branco, Capital do Acre.
Nesse estudo, a antropóloga buscou identificar as relações entre música, miração (transe), ritual, cultura e comunidade do Daime e verificar a validade da hipótese de os hinários poderem ser interpretados como “biografias musicais”. Concluindo, com isso, que os cânticos propiciam os seguintes pontos: potencializar, controlar e direcionar o transe.  No campo astral, o chela que estiver preparado espiritualmente, poderá evocar entidades, louvar esses estes espíritos de luz e ainda reforçar com a unidade da cultura daimista.
As novas vertentes do movimento daimista
O professor Clodomir Monteiro faz questão de destacar a contribuição do indígena peruano Crescêncio Pizango, oriundo do Departamento de Loreto, que  convidou o seringueiro cearense Antonio Costa a tomar um copo de chá sagrado da ayahuasca. Desta experiência em uma colocação às margens do rio Tahuamano, num seringal mantido pela Casa de Aviação Soarez, na zona rural da cidade de Cobija, no território da Bolívia, o brasileiro teve a oportunidade de passar pelo batismo de fogo dos grandes xamãs.   Ao retornar para o município de Brasiléia, o seringueiro compartilha com o irmão André Costa, os mistérios dos “ayahuasqueiros”. O preparo da bebida sagrada, segundo tinha aprendido com o Pizango, consistia basicamente no preparo do cipó jagube com a folha da chacrona.
Nos confins da floresta acreana, surgiu o primeiro núcleo do Círculo Regeneração e Fé (CRF), para difundir os ensinamentos sagrados da ayahuasca, ensinados pelo peruano Pizango, mas não tinha uma fundamentação religiosa, mas de assistência social aos desvalidos.  “Os antigos moradores daquela região ainda, se lembram de Antonio Costa como curandeiro, versado no conhecimento das ervas e plantas medicinais”, revela o antropólogo em sua tese de doutorado.
O enfermeiro baiano José Gabriel da Costa teve contato com um pequeno grupo de seringueiros bolivianos, na década de sessenta, no século passado,  que buscam na ayuhasca o caminho da elevação espiritual. No ano de 1965, o migrante nordestino passou exercer uma atividade religiosa, com a distribuição do chá do vegetal em uma pequena olaria de sua propriedade, que funcionava nos arredores da cidade de Porto Velho, capital do estado de Rondônia. “Com o aumento do número de fiéis, o trabalho espiritual passou a acontecer em sua residência”, segundo o professor Clodomir monteiro.  Os devotos desta nova irmandade, atualmente congregam no Centro Espírita Beneficente União do Vegetal – UDV. Os seguidores do mestre José Gabriel, passam a chamar o cipó jagube de Mariri, enquanto a folha rainha de chacrona (psychotria). Apesar do ritual, segue padrões clássicos, mantidos pelas comunidades tradicionais, as chamadas benditos populares são feitas para trazer a força superior.
O ex-marinheiro Daniel Pereira de Matos acometido de um mal busca socorro na comunidade do Alto Santo.  Depois de uma temporada na comunidade daimista, é  encorajado pelo mestre Irineu Serra montar outro núcleo do movimento na Colônia Cecília Parente, situada no seringal Nova Empresa. Como muitos necessitados batiam em sua porta em busca de ajuda espiritual, Daniel  reunia a pequena multidão debaixo de uma mangueira. Depois dos cânticos do hinário de Irineu Serra, ministrava o sacramento do chá do Santo Daime. Com apoio da irmandade, construíram uma pequena capela de barro dedicada ao santo da sua devoção, (São Francisco de Assis).
Como o pescador de almas Matos conseguiu atrair muitos migrantes nordestinos, que não comungavam com os credos vigentes, como a Igreja Católica Apostólica Romana e Igreja da Assembléia de Deus. Diante da expansão da comunidade surge a necessidade de erguer um templo de alvenaria mais amplo, que foi batizado de Centro Espírita e Culto de Oração “Casa de Jesus – Fonte de Luz”, por volta de  1958, mas o padrinho Daniel Pereira de Mattos veio a falecer, (com idade de 70 anos), antes da conclusão do novo templo.
Universalização – o amazonense Sebastião Motta Melo, quando procurou o padrinho Irineu Serra, estava com problema de saúde, quando procurou o padrinho Irineu Serra. Por volta de 1971, o Mestre Irineu, veio a falecer, mas a irmandade optou pelo nome do discípulo Leôncio Gomes da Silva, como o seu sucessor na obra espiritual. Por entender que a mensagem tinha de ultrapassar as fronteiras acreanas, o seguidor Sebastião Motta migrou para a estrada de Porto Acre, onde lançou a pedra fundamental da Colônia Cinco Mil (na altura do quilômetro 5 da rodovia estadual).
Para fundar  o Centro Eclético de Fluente Luz Universal Raimundo Irineu Serra (CEFLURIS), Sebastião Mota compôs o hinário: O justiceiro, distribuído em 154 estrofes. Durante a sua trajetória religiosa, o padrinho Sebastião Mota compôs um hinário próprio e passou a acolher peregrinos de todos os cantos da terra.
O ex-guerrilheiro Alex Polari de Alverga fez parte do primeiro contingente que foi  atraído, na década de 1980, no Rio do Ouro, quando participou juntamente com outros irmãos da primeira comissão que estudou uso ritual do Santo Daime. Em seguida, fundou uma comunidade na Serra da Mantiqueira (divisa do Rio com Minas Gerais), para difundir a nova doutrina. Com ajuda da irmandade da região Sudeste, sob o comando do jornalista Alex Polari, constrói um grande templo de alvenaria.
A primeira edição aconteceu há dois anos, na cidade espanhoal de Ibiza (Espanha), que na ocasião teve  quase cem propostas de trabalho apresentadas, mas 60 pesquisas debatidas. Os pesquisadores e estudiosos do movimento daimista que estiveram interessados em participar do congresso internacional, basta acessar o link:http://www.ayaconference.com/index.php/foro-principal/?lang=pt-br
fonte   www.jornalatribuna.com 

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