Acusado de matar índio no AC por preconceito pega 22 anos de prisão - Giro Feijó

Post Top Ad

Responsive Ads Here
Acusado de matar índio no AC por preconceito pega 22 anos de prisão

Acusado de matar índio no AC por preconceito pega 22 anos de prisão

Share This
A Justiça do Acre condenou M. de S. S. há 22 anos e seis meses de prisão pela morte do professor Carlos Alberto Domingos Kaxinawá. Ele foi morto no dia 3 de março de 2015 a tijoladas, no município de Santa Rosa do Purus, distante 300 quilômetros de Rio Branco. O indígena era filho do cacique Edivaldo Domingos Kaxinawá. Na época, os suspeitos foram presos em flagrante.
A primeira versão para o crime teria sido de que os criminosos teriam matado Domingos para roubar a carteira dele. Depois, o Ministério Público do Acre (MP-AC), segundo a juíza Maha Manasfi, que responde pela comarca do município, mudou a versão e entendeu que Domingos foi vítima de homicídio e que o crime teria sido cometido por preconceito por ser índio.
De acordo com a juíza Maha, que responde pela comarca do município, o crime foi praticado por um homem e dois adolescentes, mas o processo teve que ser desmembrado por conta das outras duas partes serem menores de idade.
"O júri realizado foi somente do maior. Ele [réu] foi condenado por homicídio triplamente qualificado e, por esse crime, pegou 21 anos de prisão. Além disso, ele também foi condenado a um ano e seis meses por corrupção de menor, por causa dos menores envolvidos. As penas juntas totalizaram 22 anos e seis meses", disse.
A magistrada explicou ainda que a Justiça identificou que o réu foi o responsável por ter a ideia de matar Domingos. "Tem uma decisão no processo do Ministério Público que aditou a denúncia e tirou do latrocínio para homicídio, porque depois foi verificado que não era uma questão de roubo, e sim de preconceito por a vítima ser indíg
ena", falou.
Réu foi condenado a mais de 22 anos de prisão (Foto: Sandra Brito/Arquivo Pessoal)
O réu não estava presente no julgamento por ter declarado, no município vizinho, Manoel Urbano, que não teria condições financeiras de participar do júri. "Ele não compareceu no julgamento, então, o júri foi realizado sem a presença dele. O réu deve cumprir pena em Sena Madureira ou Rio Branco, vai depender de onde ele se apresentar. A Justiça ainda não teve oportunidade de intimá-lo, mas já determinei a prisão dele", finalizou.
Entenda o caso
Carlos Alberto Domingos Kaxinawá foi morto vítima de latrocínio no dia 8 de março de 2015 no município de Santa Rosa do Purus. Domingos era filho do cacique Edivaldo Domingos Kaxinawá. Na época do crime, o chefe do posto da Polícia Civil do município, Luciano Nascimento da Costa, disse ao G1 que quatro suspeitos, entre eles três menores, foram presos em flagrante e que o crime teria sido motivado para roubar a carteira da vítima.
"Eles mataram o indígena com tijoladas na cabeça e cortaram um pedaço da orelha dele. Em depoimento, os homens falaram coisas contraditórias, disseram que o indígena estava xingando eles, mas percebemos que o crime foi motivado por roubo mesmo", explicou Costa na época.
Costa disse ainda que os criminosos foram levados para município de Manoel Urbano, pois, a população ficou muito revoltada na época. Eles aguardaram julgamento presos na unidade prisional de Sena Madureira e os três menores no Centro Socioeducativo Purus, localizado no mesmo município.
O presidente do Conselho Distrital do Posto de Saúde Indígena do Pólo Base da cidade, e tio da vítima, Manoel Kaxinawá, falou que a família ficou consternada com o crime. "A morte dele é lamentável, é um fruto que perdemos. Ele era trabalhador, cursava faculdade de pedagogia e foi morto sem ninguém esperar. Só não fizemos justiça com as próprias mãos, porque não tínhamos certeza de quem foram ao autores", disse.
Manoel pediu que a justiça fosse feita. "O que pedimos é que essas pessoas não fiquem impunes, pois nossa população indígena é perseguida e sofre muito, se a justiça não for feita, vamos até Rio Branco, se for preciso”, afirmou na época do crime.
fonte  g1.globo.com

Videos

Post Bottom Ad

Responsive Ads Here

Pages